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5 segredos para fazer um jardim vertical perfeito

"Mas pintar a parede de preeeeto?" Alguém sempre me olha torto quando eu explico o passo a passo de um jardim vertical e compartilho esse segredinho de paisagista. "Isso mesmo, preto. E os vasos também precisam ser pretos." Não, não pode ser marrom, nem verde-cor-de-folha. Quer dizer, poder, pode. Só que o preto cria um efeito de ilusão de ótica melhor do que o de qualquer outra cor, fechando os buraquinhos entre os vasos e fazendo a parede "desaparecer". O olho vê uma grande mancha verde, entende? Tudojuntomisturado. Se você pintar a parede com neutrol, que é um impermeabilizante todo preto, já resolve dois problemas de uma só vez.

As plantas, sim, podem ser de várias cores. Você pode querer um efeito de bloco único, usando todas as plantas iguais, de pequenos pontos de cor, escolhendo algumas diferentes, ou de manchas e padrões geométricos, misturando três ou mais espécies na composição. Segundo segredinho de paisagismo: se o espaço for pequeno, use a mesma planta que ele parecerá maior, mais unificado. No máximo, ponha uns pontinhos de cor, mas nada que exceda mais de 5% da composição. Em jardins verticais grandes, com mais de 10 metros quadrados, você vai ver que as manchas de plantas diferentes aparecem muito melhor — quanto mais de longe você puder admirar a parede, mais vale brincar com diferentes cores e texturas.

Terceiro segredinho de paisagista: para efeito de cálculo, cabem 3 vasos por metro linear, o que dá mais ou menos 9 vasos por metro quadrado. Isso vai mudar de acordo com o tamanho do vaso e, principalmente, com o volume da folhagem escolhida. Não ponha nada muito grudado, dê espaço para a planta crescer e se mostrar. Pense em como o jardim vertical vai ficar daqui a uns três meses e não em como ele está no dia da implantação. Em menos de uma semana as plantas começam a se acomodar e a buscar o sol ou a luz, então, aquele galhinho que você ficou meia hora arrumando pra direita não estará necessariamente na mesma posição no dia seguinte.

Mais um truque: vasos muito grudados, sem aeração adequada, atraem cochonilhas, os grandes detonadores de jardins verticais. Ácaros também surgem em ambiente onde as plantas estão todas "socadas", por isso, não exagere, de verdade, na proximidade dos vasos.

Quer mais dicas? Então, fique com mais esta: use vermiculita e Bokashi no preparo da terra que vai para cada vaso. A vermiculita é um mineral muito leve, capaz de absorver até cinco vezes seu peso em água. Ela mantém não só a planta úmida por mais tempo como também diminui o aquecimento dos vasos no calor (eles são pretos, lembra?). É facilmente encontrada em casas agrícolas, em sacos de 25 ou 50 litros. Você pode usar uma mão bem cheia de vermiculita por vaso – só evite nas plantas que preferem um solo mais aerado, como é o caso do alecrim, da rosa e de tantas outras espécies de clima temperado.

Já o Bokashi é um adubo orgânico multi uso, que reúne vários micro e macro nutrientes numa misturinha que os japoneses guardam a sete chaves. Tem farinhas (de osso, de sangue, de peixe), extrato de algas, microorganismos benéficos, esterco curtido, palha de arroz e muitos outros ingredientes, que são misturados em uma pilha de fermentação até atingirem o ponto perfeito. O grande efeito do Bokashi é que ele vai sendo liberado nas raízes aos poucos, a cada rega, mantendo a planta adubada por até seis meses, dependendo das necessidades de cada espécie. Nos jardins verticais, você pode usar uma mão bem cheia de bokashi por vaso, misturando-o muito bem à terra antes de colocar o torrão de raízes.

Agora que você já conhece todos os pulos-do-gato do jardim vertical, tá na hora de colocar a mão na terra e montar você mesmo uma parede verde linda na sua casa. Neste vídeo para o Mais Cor, Por Favor, do GNT, eu mostro como você faz o plantio de cada vaso. Boralá?
29 JUL 2015
categoria: Minhas raízes

O melhor e mais barato antidepressivo do mundo

Ali não chega o barulho das buzinas. O carteiro não te encontra pra entregar contas a pagar. Seu chefe não aparece para dar bronca, aquela colega invejosa não consegue te atingir. Ali, naquele canto tão sagrado, não há dedos apontados para você. Ninguém te julga, te condena, nada faz você se sentir inferior. Porque ali é seu cantinho verde, seu oásis particular que cabe tanto num quintal enorme quanto num prosaico conjunto de vasinhos.

É pra lá que eu vou quando preciso esfriar a cabeça, quando o dia está difícil, quando me sinto triste. E as plantas sempre me acolhem. Quem vê de fora olha uma mulher cuidando de suas plantas, mas todo amante da natureza sabe que são as plantas quem cuidam da gente. Seus ramos oferecem um abraço, as folhas tremelicando ao vento parecem varrer suavemente o pó dos dias ruins. Aquele falatório interior vai se esvaziando na minha mente e logo estou concentrada num botão que está prestes a florir, vendo as formigas passarem tão apressadas, observando uma gota de água se equilibrando na ponta de uma folha.

Quinze minutos num jardim fazem milagres que nem a ciência duvida mais. Uma pesquisa holandesa mostrou que quanto mais plantas há numa casa ou nas imediações, menor a incidência de depressão, ansiedade, pressão alta e problemas cardíacos. Foram ouvidas 350 mil pessoas para esse estudo, que revelou também que os efeitos de um jardim são ainda maiores em crianças, idosos e na população de baixa renda. Outra pesquisa, nos Estados Unidos, avaliou o impacto que um passeio num parque tem no ser humano: os participantes eram submetidos a vários testes antes e depois de caminharem num jardim botânico. Quem ficou em contato com a natureza por alguns minutos revelou um humor e uma memória melhores do que aqueles que não andaram no parque.

Pesquisas em botânica no Japão, Inglaterra, Escócia e Espanha trazem resultados semelhantes, apontando benefícios até mesmo de as crianças brincarem na terra. É que o solo contém uma bactéria, Mycobacterium vaccae, que reduz a ansiedade e melhora a capacidade de aprendizado ao provocar o crescimento de células produtoras de serotonina. Pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, descobriram que essa bactéria pode ajudar no desenvolvimento cognitivo infantil, desempenhando o papel de um antidepressivo natural. Nem dá pra se surpreender com esses resultados: qualquer adulto que já fez bolinho de terra, que subiu em árvore e colheu fruta no pé, sabe que aquilo, sim, é que é infância boa!

Volto ao meu jardim e deixo que aquele cheiro de terra molhada invada meus pulmões, expulse a fuligem e a poluição da cidade, me renove. Acaricio as folhas do meu pé de capim-limão crescendo tão animado num canteirinho de menos de um metro quadrado – o cheiro cítrico me traz paz. Meus quinze minutos passaram devagar como nuvens sem vento, e eu estou pronta, corpo fechado, para encarar a correria da rotina mais uma vez. Só que agora levo uma floresta inteira dentro de mim.
15 AGO 2013
categoria: Minhas raízes

A mulher que cria plantas dentro de lâmpadas

Juliana acordou um dia com a pontinha do dedo mindinho do pé direito meio verde. Se esforçou para lembrar de alguma pancada, quem sabe um tropeção durante a noite. Nada. Na semana seguinte, seu-vizinho também estava verde – claramente verde e não o roxo esverdeado típico dos hematomas. Juliana não saía de casa sem meias. Em poucos meses, o verde subia pelos calcanhares da jovem professora de fotografia. Então, ela resolveu acabar de uma vez com aquilo: reuniu seus cadernos, pegou a velha câmera compacta e se mandou – de mala, gatos e cuias de cerâmica – para Holambra.

Quando conheci Juliana, a doença já não tinha mais tratamento. Ela colecionava variedades de sálvia e ninhos de passarinho. Há tempos tinha virado vegetariana e não bebia uma gota de café ou álcool "porque o gosto é ruim". Recebia as visitas deixando duas gérberas cor de laranja recém colhidas em cada cômodo e servindo cookies recém assados em guardanapos laranjas com desenhos de gérberas. No banheiro, até o papel higiênico ostentava ilustrações de cactos e joaninhas.

Logo percebi que tudo ao seu redor padecia do mesmo mal. Gambás caíam das árvores como frutas maduras. Árvores caíam no telhado como gambás maduros. Sua pacata gata da cidade se transformara em uma voraz caçadora de ratos e os trazia como troféus para a porta do quarto. Juliana gritava "Periquiiiiitaaaaa" e a cachorra – de nome Cuca – aparecia. E pontualmente às 20h, uma rã menor do que uma moeda de R$ 1 se fazia ouvir pela casa amplificando seu coaxar dentro de um regador de plástico.

A vida de Juliana nunca mais foi a mesma. Num dia, ela resgata o cachorro que caiu num poço. No outro, replanta um lote inteiro de mudas de árvores comidas por vacas. Desde que o verde estacionou na altura de seus joelhos e os pés criaram raízes, Juliana nunca mais deixou de usar Crocs com meias. Para relaxar, lê coisas como "A Elegância do Ouriço" ou "Histórias de Cronópios e de Famas" – junto com guias de identificação de plantas e relatórios ambientais.

Debaixo de todo aquele verde alface, Juliana ainda faz coisas que me deixam bege, como organizar um viveiro inteiro tal qual uma planilha de Excell. "As mudas de cambuci estão na F-35", grita ela enquanto carrega um caminhão com uma floresta ainda criança. Ela aprendeu a manobrar trator, a ler as horas nas nuvens e a falar holandês – só não aprendeu a usar o Facebook porque ele é azul demais.

Hoje, quando olhei bem de pertinho, encontrei um fio de cabelo verde na Juliana. Achei melhor não contar. Não estamos numa boa Lua para podas radicais.

PS: Conheça a Juliana no De Verde Casa
15 DEZ 2012
categoria: Minhas raízes

Aos jardineiros de ontem, hoje, amanhã

Ter plantas por perto sempre foi algo tão familiar que só me dei conta da importância delas no meu bem-estar quando vim morar sozinha em São Paulo, longe do quintal de minha mãe. Posso não lembrar exatamente quando coloquei a mão na terra pela primeira vez, do debut de sentir uma minhoca se mexer entre meus dedos ou de quando transplantei meu primeiro vaso, mas recordo direitinho quando li sobre jardinagem pela primeira vez. Foi em O Menino do Dedo Verde, do escritor francês Maurice Druon, o criador de Tistu, o garotinho capaz de fazer uma floresta inteira brotar de suas mãos.

Assim como no livro, ainda existem Bigodes por aí: são homens e mulheres que se dedicam a cultivar plantas. Não falo só de jardineiros, não, que comemoram seu dia hoje. Me refiro àquela avó que gostava de ter à mão os ingredientes frescos que usava em suas receitas. Às mães que tinham nem que fosse um vasinho de violetas no parapeito da janela. Aos vizinhos que despertaram na gente a cobiça pelo jardim mais verde. A todas as pessoas que nos convidaram à contemplação – ou tem coisa mais relaxante que sentar-se num jardim bem cuidado e ficar ali simplesmente pensando pensamentos?

Agora, olha só como nesse mundinho tudo está interligado: é de uma tentativa de proteger o belo que nascem a ética e os bons valores. É por isso que digo: quando nossas crianças forem ensinadas a cuidar das plantas, os homens nunca mais destruirão florestas.

No Dia do Jardineiro, semeie essa ideia.
28 SET 2012
categoria: Minhas raízes

A estiagem

Se você precisar de um jardineiro em Piracicaba – na hipótese improvável de não conseguir lidar sozinho com suas próprias plantas –, basta dar uma volta no quarteirão para encontrar umas crianças regando begônias, um rapaz franzino empurrando um cortador de grama ou um vizinho remexendo no jardim, com sua senhora por perto gritando "dá uma podadinha na amoreira também, Tião?".

Agora, ouse manter meia dúzia de violetas em São Paulo para ver a fúria divina se materializar em tudo quanto é tipo de praga possível, dos bíblicos gafanhotos aos pulgões menos litúrgicos. Num dia, são algumas mosquinhas brancas na romanzeira, no outro, umas lagartinhas até simpáticas na avenca e, logo, tem-se uma infestação. Quando você finalmente entrega os pontos, não acha um bendito jardineiro nem nos classificados. Depois de três meses procurando, chego à conclusão de que é mais fácil sapos caírem do céu do que encontrar alguém versado nas artes do ancinho e do rastelo.

Por tudo isso, você pode imaginar minha alegria quando, dia desses, vi um homem curvado sobre um canteiro de lírios, jaleco verde e cabelos faltando no cocoruto, cercado de ferramentas. Gesticulava enquanto tinha o que parecia ser um animado papo com uma das flores. Enfim, um jardineiro!

Bastou chegar perto do canteiro para minha fantasia de plantas bem-cuidadas murchar. Agachado, o senhor falava com um rapaz enfiado no fundo de um buraco no chão. Os dois terminavam a instalação de uns fios subterrâneos e reclamavam das condições de trabalho, já deviam ter sido rendidos por outra equipe que ainda não tinha chegado. "Sabem onde posso encontrar um bom jardineiro?" O mais velho levantou a cabeça e me olhou com a calma dos eletricistas que odeiam árvores. Passou uma ferramenta para o colega, cuspiu de lado e perguntou: "Pra quê?".

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