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14 MAI 2014
categoria: Dicas práticas

Saiba evitar mosquinhas na composteira

Não meço esforços para ter um pouco mais de verde ao meu redor. Já coloquei uma bombinha de aquário num bidê, enchi de água e plantei ninféias e alfaces d’água. Meu jardim aquático durou pouco. Quando as plantas se tocaram de onde estavam florescendo, amarraram pedras no caule e se jogaram da borda. Morreram afogadas.

Anos depois, comprei um pé de amora. A árvore ficou tão grande que encostava no teto. Hoje, ela mora num sítio e está apaixonada por um ficus. Tenho também um ex-bonsai de romã que me agradece todos os dias por não cortar suas raízes como fazem os japoneses malucos.

De todos meus exemplos verdes, o que me dá mais dor de cabeça é a composteira. Os sites que ensinam como transformar lixo orgânico em adubo raramente sugerem que você tente isso num apartamento. Descobri por que: “Durante a compostagem, fungos, bactérias, protozoários, minhocas, besouros, lacraias, formigas e aranhas decompõem as fibras vegetais”.

Até aí, tudo bem. Os bichos não vão querer sair do quentinho por nada. O problema é que ninguém fala que entre os “amigos invisíveis” estão montes de drosófilas, aqueles mosquitinhos que gostam de banana. Agora, minha fruteira fica escondida no armário e só fecho a geladeira depois de me certificar de que não prendi nenhuma drosófila lá dentro.

Antes que eu me armasse de inseticida e saísse pela casa borrifando mosquitos, voltei ao site em busca de um alento. “Não se preocupe: fazer compostagem não vicia, é apenas uma atividade apaixonante como todo aprendizado com a natureza.” Um agrônomo poeta! Era só o que me faltava.

Para você, que tenta produzir adubo num apartamento usando seus restos de cozinha, uma dica: mantenha a composteira sempre com uma boa camada seca por cima – mesmo que ela esteja fechada. Solteiros e casais sem filhos sabem bem o que estou dizendo: quem não produz uma quantidade grande de material a ser compostável acaba encontrando mais mosquinhas do que adubo quando abre a composteira. Os melhores materiais secos para isso são serragem, aparas de grama e folhas de jornal picadinhas (de preferência as preto e branca, que têm menos tinta). #ficadica
22 JAN 2014
categoria: Minhas raízes

Ecoloja doida venderia joaninhas por kg

Vivo pensando em abrir uma loja ecológica. Seria como aquelas farmácias antigas, com um grande balcão de madeira e prateleiras de vidro. Entra uma madame, aflita. Os pulgões estão acabando com o jasmim. Não há motivo para preocupação: vendo joaninha por peso. Custa R$ 5 o quilo, mas você vai precisar de uma infestação num jequitibá para comprar tantas assim. Na vitrine, em uma grande caixa com furinhos, estão milhões de joaninhas esvoaçantes. “Passou um pouquinho de 200 gramas, pode ser?”, eu pergunto, com aquela cara-de-pau de quem sabe muito bem pesar 200 gramas certinho.

A loja ainda tem algumas joaninhas voando esbaforidas quando chega outro cliente. Problemas com a terra do quintal, que está muito dura. Trabalho com minhocas nacionais e americanas. Ele me pergunta qual é a diferença. “As americanas são mais gordas.” Pego o metro e começo a enfileirar as minhoconas, uma mais comprida que a outra. Claro, passa dos 5 metros, mas aí a culpa não é minha. Eu não parto minhocas no meio. Nunca. Ele que leve um pouco a mais.

O terceiro cliente é um avô. Diz que fez uma casa na árvore para os netos e que são os cupins que se divertem. Vou até os fundos da loja e dou um assobio. Devagar, aparecem os tamanduás, um surge de traz de uma árvore, outro, descansa perto dos sacos de alpiste. Pego o mais magrinho no colo e levo para dentro. “Você pode ficar com ele por uma semana. Tem que devolvê-lo escovado, limpo e saudável.” Ele assina o termo de compromisso e vai embora. O tamanduá, feliz da vida, põe a língua para fora e me dá um até logo.
20 MAR 2013
categoria: Dicas práticas

Como NÃO ter uma composteira em um apartamento

Sempre estranhei o fato de não encontrar em lugar nenhum orientações para fazer composto orgânico em apartamento. De fato, é uma excelente ideia ter em casa um recipiente para transformar restos de frutas, legumes e verduras em adubo. Só que a composteira que funciona tão bem numa casa com quintal nem sempre dá certo em um lugar fechado como meu apê. Minha ideia "brilhante" se mostrou uma grande enrascada tão logo a pus em prática.

Na área de serviço, montei uma caixa de papelão forrada com um saco plástico preto furadinho e bem resistente e comecei a juntar nela restos orgânicos, pedaços de jornal e folhas secas. Fiz como mandam os manuais ecológicos, remexendo aquela porcalheira uma vez por semana.

Achei que fosse feder, mas logo descobri que composteira tem cheiro de terra úmida. Depois do primeiro mês, começaram a aparecer montes de drosófilas, aquelas insistentes mosquinhas de fruta. Minha composteira virou um berçário: toda vez que mexia na caixa, tinha de pedir licença para a nuvem de mosquinhas. Várias delas morreram congeladas quando eu ia pegar alguma coisa na geladeira.

Na falta de sapos, lagartos e outros animais comedores de insetos, passei a abrir a caixa só com as janelas escancaradas. Deu certo. Com o sumiço das drosófilas, finalmente tive sossego. Foi tanta a tranqüilidade que, claro, esqueci de revolver a composteira por cinco meses. Um belo dia, fui dar uma olhada nela como quem lembra de uma panela no fogo. O composto ainda não estava pronto, mas o fundo tinha umedecido e grudado no chão. Resultado: a caixa não saía do lugar nem com reza brava. Foi parar no lixo, sem nem ter a dignidade de ser adubo, coitada.

Já li bastante a respeito de composteiras domésticas, incluindo algumas com minhocas. Me parecem muito mais resistentes e eficazes do que a minha velha caixa de papelão com plástico, claro, mas a resistência externa não resolve o problema das mosquinhas. Se você tiver ideia de como se livrar delas (minhocas carnívoras? sabiás amestrados? frutas explosivas?), deixe sua dica nos comentários que eu prometo rever meus preconceitos. Jardineiro que produz seu próprio adubo em casa é como aqueles padeiros que criam seu próprio fermento: doido, mas genial.

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