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20 NOV 2012
categoria: Minhas raízes

A despedida do girassol dos passarinhos

Os passarinhos plantaram um girassol gigantesco na varanda da minha casa. Ele cresceu lindo, forte e vigoroso até atingir mais de um metro. Dois meses depois, surgiu um botão e eu passei a levantar mais cedo e ir direto para a janela, na esperança de que estivesse pronta a mágica e a flor se abrisse revelando o miolo ensolarado. Um dia, aconteceu: acordei e fui saudada por uma flor do tamanho de um prato de sobremesa. Isso foi há três semanas.

De lá para cá, mesmo cuidado do girassol como um bebê, sua flor está morrendo — e eu junto, de tristeza. Conversei com meu jardineiro e ele me explicou que as plantas têm ciclos de vida diferentes. Algumas duram pouco, como as ervas e hortaliças em geral: mesmo que você mime um pé de alface, ele vai crescer, gerar uma flor, lançar sementes e morrer em menos de seis meses. É da natureza dessa espécie. Já uma árvore tem um ciclo de vida muito maior, mas mesmo um jequitibá, uma hora, morre.

Girassóis duram no máximo um ano. “Por mais que a gente molhe, adube e deixe a terra fofinha, quando acabar a vidinha dele, ele morrerá lentamente”, me disse seu Juareis. Esse será o destino do meu girassol dos passarinhos.

Desde que soube disso, cuido para que ele curta bem seus últimos dias. Em vez de cortar a flor murcha, deixo que a planta decida quando fazê-lo. Até porque, enquanto a flor definha e fica feia, uma química secreta acontece em seu miolo: ela prepara seus descendentes, as dezenas de sementes que lançará na terra para que os passarinhos a semeiem por aí.

Se eu sei de tudo isso, por que sinto que uma luzinha se apaga diariamente dentro de mim?
03 SET 2012
categoria: Dicas práticas

Como escolher plantas para sua casa

Você virou adulto, saiu da casa dos pais e agora que é dono do próprio nariz acha que está pronto para ter um cachorro. A essa altura, já se considera capaz de dar conta dos gastos e da responsabilidade por outro ser vivo e está sondando o tamanho, o sexo, até o temperamento do animal que vai escolher.

Agora me diz por que cargas d’água as pessoas não escolhem plantas desse jeito? Por que saem de uma floricultura com um vaso de cacto se moram num apartamento com face sul, onde o sol mal-entrou-já-saiu – e ainda reclamam que a planta não dá flor? Ou levam para casa aquela orquídea rara e de cultivo difícil se mal têm tempo para dormir. Pior, ainda culpam a própria falta de dedo verde pelo fato de o jardim nunca ir pra frente.

Escolher uma planta para ter em casa exige critérios muito parecidos com os envolvidos em adotar um bicho de estimação. Além do tamanho do lar que você poderá lhe oferecer (canteiro? floreira? vasinho?), avalie quais as condições de luz e clima de sua casa e o que você dispõe de tempo e espaço para abrigar outro ser vivo.

Não pense que só quem tem quintal grande e ensolarado tem direito a um jardim. Duvida? Tem orquídea que precisa de 80% de sombreamento para ser feliz, porque seu habitat natural é fundo de floresta tropical, uma região úmida, abafada e escura (como a orquídea Cochleanthes amazonica na foto). Tem planta que cresce tanto que arrebenta calçada e outras que só ficam felizes se mantidas longe do vento, bem quietinhas dentro de casa.

Planejando bem você consegue até driblar alguns pré-requisitos e ter, sei lá, uma muda de mangueira num apartamento (pelo menos até ela virar adolescente e pedir casa própria). Por isso, quando tiver morrido um vasinho na sua casa, pense que existem 350 mil espécies de plantas no mundo – uma há de ser seu número.
02 SET 2012
categoria: Minhas raízes

Jardineira sem quintal

Então que eu tenho uma centena de vasos. Só que criar orquídea em apartamento não é moleza, porque elas são que nem gente, querem luz, água, carinho, atenção. E espaço.

Aí que orquídea costuma vir em vaso de plástico, que é ruim, abafa as raízes, deixa o substrato úmido demais, facilitando o surgimento de doenças. Eu adio o transplante o mais que posso, porque a jardineira aqui tem preguiça, mas chega uma hora que as bichinhas tão se estapeando por um vaso maior ou um substrato melhor e não dá mais.

Tudo isso pra explicar o fuzuê na minha cozinha cada vez que vou fazer um transplante, um tal de planta dependurada no escorredor de louça, planta na pia, planta plantada, planta em vias de. Gato passando no meio dos vasos, xeretando substrato e só esperando mãe dar bobeira pra morder uma folhinha.

Segundo o Censo Verde, há 151 orquídeas residentes. Num apartamento. Ah, se eu tivesse um quintal...

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