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23 ABR 2014
tags: abelha

Como evitar abelhas no bebedouro do passarinho

– Ele me ignora!
– Calma, minha filha, também não é assim.
– Me sinto rejeitada. Ele nem toca na minha comida…
Começou assim minha sessão terapêutica com o seu Daugas Friech. Por telefone, ele me consolava.
– Ele é assim mesmo, gosta de coisas espalhafatosas.
– Mais kitsch que o bebedouro que eu comprei? Impossível!
– Coloca banana, minha filha. Banana e mamão é tiro e queda.

Estava arrasada. Toda manhã eu vou até a janela conferir se a água está fresca e se comeram as sementes de girassol, mas o sabiá só me ignora. E isso porque tem uma praça enorme na frente da minha casa, um verdadeiro condomínio de aves. Nada de sabiá, nada de bem-te-vi, até as rolinhas me ignoram. Não sei em que restaurante eles devem estar indo para manter todos esses bicos cheios. De duas, uma: ou tem mais gente tentando atrair maritacas barulhentas e beija-flores fugazes, ou a bicharada não gostou do meu cardápio. Esses eram meus pensamentos até ontem, quando conversei com um santo passarinheiro, o ornitólogo Dalgas Frisch.

– Você mora em apartamento?
– Moro.
– Sabiá é bicho preguiçoso, só vai até o segundo andar.
– Ahhhh…
– Você quer beija-flor também, né?
– Seria ótimo! Eles também não chegam em apartamento alto?
– Coloca água com açúcar que eles vêem. Mas só de sexta a domingo.
– Por que?
– Senão, aparecem aquelas abelhinhas pretas.
– E…

Já estava imaginando que elas só trabalhassem em horário comercial, de segunda a sexta.
– Minha filha, quando você coloca mel na janela, elas avisam à colméia: “Aquela jornalista bonitinha colocou comida pra nós!”. Só que elas precisam de três dias para avisar a colméia inteira. Senão, não faz a ponte aérea.
– Ponte aérea?
– Sim, ponte aérea Colméia-Janela, ué.
– ?
– Essa nunca entra em crise, minha filha, nunca. Para despistar as abelhas, você coloca água com açúcar de sexta a domingo. Quando elas chegarem, na segunda, não tem mais. Elas vão insistir até terça e logo vão perceber que era alarme falso.
– Falha no Cindacta 1.
– Isso. Aí, na sexta você coloca de novo e até uma avisar a outra…
– Já é segunda!
Amei aquela idéia de frustrar abelhas. Contanto que os passarinhos apareçam, claro. Esta aeromoça aqui não é lá muito paciente.
15 ABR 2014
categoria: Dicas práticas
tags: abelha, horta

Tomate-cereja pega mais fácil que mato

Se você tem um cantinho ensolarado em casa, que tal cultivar tomates? A variedade cereja cresce rápido e é uma ótima opção para quem está dando os primeiros passos no ramo das hortas caseiras. Escolha sua bandejinha preferida no supermercado e, na hora de preparar a salada, tire as sementes de dois ou três tomatinhos. Lave-as em água corrente, usando uma peneira fina, e espere secar.

Após a sobremesa, encha um vaso de 30 cm de profundidade com terra de boa qualidade (de preferência enriquecida com adubo orgânico) e espalhe as sementes na superfície, tomando o cuidado de não deixá-las muito juntas. Cubra com uma camadinha fina de terra e mantenha úmido (não encharcado!), até que surjam os primeiros brotos.

Quando eles estiverem com aproximadamente três dedos de altura, você precisará de coragem para arrancar os menores e mais fracos, já que tomates necessitam de espaço (pelo menos 15 cm de distância) para se desenvolver. Regue a terra a cada dois dias e logo você poderá curtir as bolinhas vermelhas se formando.
22 JAN 2014
categoria: Minhas raízes

Ecoloja doida venderia joaninhas por kg

Vivo pensando em abrir uma loja ecológica. Seria como aquelas farmácias antigas, com um grande balcão de madeira e prateleiras de vidro. Entra uma madame, aflita. Os pulgões estão acabando com o jasmim. Não há motivo para preocupação: vendo joaninha por peso. Custa R$ 5 o quilo, mas você vai precisar de uma infestação num jequitibá para comprar tantas assim. Na vitrine, em uma grande caixa com furinhos, estão milhões de joaninhas esvoaçantes. “Passou um pouquinho de 200 gramas, pode ser?”, eu pergunto, com aquela cara-de-pau de quem sabe muito bem pesar 200 gramas certinho.

A loja ainda tem algumas joaninhas voando esbaforidas quando chega outro cliente. Problemas com a terra do quintal, que está muito dura. Trabalho com minhocas nacionais e americanas. Ele me pergunta qual é a diferença. “As americanas são mais gordas.” Pego o metro e começo a enfileirar as minhoconas, uma mais comprida que a outra. Claro, passa dos 5 metros, mas aí a culpa não é minha. Eu não parto minhocas no meio. Nunca. Ele que leve um pouco a mais.

O terceiro cliente é um avô. Diz que fez uma casa na árvore para os netos e que são os cupins que se divertem. Vou até os fundos da loja e dou um assobio. Devagar, aparecem os tamanduás, um surge de traz de uma árvore, outro, descansa perto dos sacos de alpiste. Pego o mais magrinho no colo e levo para dentro. “Você pode ficar com ele por uma semana. Tem que devolvê-lo escovado, limpo e saudável.” Ele assina o termo de compromisso e vai embora. O tamanduá, feliz da vida, põe a língua para fora e me dá um até logo.
05 MAI 2013
categoria: Minhas raízes
tags: abelha

A fera do aspirador de pó

O trator da limpeza de 1,50 m irrompe no escritório rumo à varanda, com balde, vassoura, rodo, pano, escovão, aspirador de pó e… Êpa, aspirador de pó? Fui pé ante pé ver o que a Val estava aprontando quando a flagro, bravíssima, em cima do bebedouro dos passarinhos, dando golpes no ar com a mangueira do aspirador de pó.

– Val?
– …
– Val! Vaaaaaal!!!
– Chamou, Carol?
– Deeeesliiiiga o aspiradoooor, Vaaaaal!
– Ah, é!
– Val, o que raios você está fazendo com o aspirador, mulher?
– Chupando as abelhas, Carol.
– !
– Você não disse que o beija-flor morre se for picado por abelha? Tô vendo o bichim na maior agonia, voando aqui e ali, mas ele não consegue chegar perto do bebedor porque tá com abelha.
– Val, não vá me dizer que você está chupando as abelhas com o aspirador de pó…
– Ah, tô sim, e já faço isso desde a semana passada. Não reparou que as abelhas deram uma sumida?
04 DEZ 2012
categoria: Minhas raízes
tags: abelha

Com o chinelo e a coragem

Não tenho medo de cobra. Nem de lagarto. Escorpião, então, é fichinha, quase sentei em cima de um durante um acampamento de escoteiros. Rato eu acho bonitinho, mesmo se tiver cara de esgoto. Mas morro de medo de abelha. Morro. Dá até um friozinho na barriga.

No trabalho tem um monte daquelas amarelinhas, que ficam zanzando em torno da gente atrás de chá, bala, refrigerante, umas abelhas muito exigentes. A balconista da lanchonete tem certeza de que eu sou esquizofrênica porque peço dois cafés, encho um deles de açúcar e o deixo intacto. É minha oferenda à Madame Ferrão.

Dito isso, você pode fazer uma ideia do meu desespero toda vez que, pacificamente cuidando das orquídeas na varanda, sou encurralada pelo belhouro. Trata-se de um bicho muito do mal diagramado, misto de abelha com besouro, que faz um barulho de turbina ligada. Deve polinizar por atropelamento – a criatura é tão pouco ergonômica que as flores pendem quando são visitadas por ela.

Tenho na varanda uma borboleteira, uma arvoreta que atrai justo quem? Quem? O belhouro. Ontem acordei e fui cuidar das minhas plantas. Meia hora depois, Omblogsman me flagra pelo vidro da sala plantada na varanda com o chinelo na mão e cara de pânico. Encurralada mais uma vez pelo inseto demoníaco. Não fosse a intervenção maridística, eu estaria na varanda até agora. Ou teria me jogado. Um chinelo não seria páreo para o abominável belhouro.

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