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16 NOV 2012

Entenda o que sua planta diz

Já ouvi muito dono de cachorro dizer que eles são fáceis de entender. Orelhas em pé são sinal de alerta. Língua dependurada pra fora é cachorro com sede ou cansado. Dentes bem à mostra e pelo arqueado alertam para uma eventual mordida. Latidos pedem atenção. E qualquer pessoa que tenha visto um cão balançando o rabo de um lado para o outro entende que o bicho está feliz. Pois é, quem consegue aprender cachorrês está a meio caminho de falar a língua das plantas. Se existisse um dicionário de plantês, os verbetes seriam mais ou menos assim:

Folhagem rala
“Um vaso maior ia bem, hein?”

Pontas amarelas
“Exagerou no adubo de novo?

Folhas caem ainda verdes
“Troque meu substrato , ele está apodrecendo!”

Folhas mal-formadas
“Você está me dando muito adubo.”

Ramos finos e com poucas folhas
“Tô anêmica, preciso de adubo...”

Folhas pálidas
“Encontre uma sombrinha pra mim, vai?”

Está há anos sem dar flor
“Sem adubo e claridade, nada de flor, meu bem.”

Pintinhas pretas nas folhas
“Preciso de remédio contra fungos e bactérias!”

Constante ataque de cochonilhas
“Me leve para um local mais arejado, poxa...”

Folhas cheias de fuligem
“Preciso fazer uma limpeza de pele urgentemente...”

Formigas nos brotos
“Tô cheia de pulgões, me dê um banho de óleo de Neem!”

Queda das flores ainda em botão
“O vento derrubou meus bebês...”

Folhas parecem emboloradas ou enferrujadas
“Me dê remédio antifungo urgentemente!”

Queimaduras circulares nas folhas
“O sol está passando por alguma fresta e queimando minha pele!”

Caule mole
“Tá pensando que sou peixe? Diminua as regas – e tire esse prato dos meus pés.”

Folhas e caules murchos
“Você quer me matar de sede, é?”

Um monte de raízes à vista
“Ah, o que eu não daria por um vaso maior...”

Folhagem com rastros brilhantes
"Socorro, estou sendo atacada por lesmas e caracóis!!!"

Frutas azedas
"Me dá mais água que eu faço elas bem docinhas."
11 NOV 2012
tags: orquídea

Regra de ouro para nunca mais perder plantas

Perder plantas faz parte da vida de qualquer um que queira uma casa mais verde. Às vezes, elas morrem por água demais ou de menos. Perdem flores em mudanças repentinas de temperatura ou são atacadas por pulgões, formigas, besouros, cochonilhas e outras pragas vorazes. Ou, pior, definham em consequência de vírus, fungos e bactérias que muitas vezes nem dão sinal de ataque.

Todas essas causas são comuns e, ainda que a maioria seja evitável com fiscalização periódica de brotos e folhas, sempre deixam na gente a sensação de que não nascemos com dedo verde. Se você já perdeu uma planta querida ou gostaria de evitar um fim trágico a algum de seus vasos, memorize esta regra de ouro: “primeiro construa a casa, depois, leve a família”.

Isso significa que em vez de olhar uma folhagem linda no supermercado ou pedir muda de uma flor para sua vizinha, levá-la para casa e colocar num lugar bonito, você vai primeiro escolher o lugar e só depois pensar na planta. Parece uma simples inversão gramatical, mas não é: a ordem dos fatores realmente altera o produto.

Ao escolher o canto em que você pretende cultivar uma planta, você já sabe quais condições poderá oferecer de luz, clima e espaço. Se o local é sombreado, esqueça as espécies que vivem sob sol intenso. O espaço dá para um vaso médio? Nada de insistir numa frutífera. Tudo o que você tem de ventilação é uma janela basculante? Uma planta pendente talvez se adapte melhor do que um arbusto.

Seguindo a máxima de escolher o local primeiro, depois colocar a planta, você estará a meio caminho de ter um canto verde por muito mais tempo!
07 NOV 2012
tags: orquídea

As 9 maiores dúvidas sobre orquídeas

- Por que não devo colocar prato embaixo?
Tudo bem que você goste de água, mas como se sentiria se tivesse de usar meias e sapatos encharcados? Além do desconforto, a umidade atrairia frieira, certo? Pois acontece exatamente a mesma coisa com as plantas (bem, menos para as aquáticas…). Mesmo as que gostam muito de água dificilmente curtem ficar com as raízes constantemente molhadas. Nas orquídeas, a umidade é bem vinda, mas, em excesso atrai fungos e bactérias que podem ir minando a planta de tal forma que ela acaba morrendo. Evite o problema simplesmente plantando em vaso de barro com furos e deixando o substrato secar ligeiramente entre uma rega e outra.

- Posso plantar na terra?
Pode só se a orquídea for terrestre — caso da orquídea-bambu (Arundina bambusifolia). O problema é que a maioria das orquídeas não cresce naturalmente no solo e, sim, sobre árvores, são as chamadas orquídeas epífitas. Para imitar o tronco de uma árvore, que é bem arejado, a gente usa substrato, uma mistura de vários materiais. Ele pode ser feito com um ou vários destes materiais: pedacinhos de carvão, casca de coco, fibra de coco, cavaco de madeira, casca de pinus, sem falar nos ingredientes regionais, como semente de açaí, sabugo de milho e semente de babaçu. Substrato para orquídeas é encontrado com esse nome em qualquer boa floricultura.

- Qual é o vaso certo para ela?
Ela costuma ser vendida em vaso plástico furado no fundo, mas, se puder, transfira para um de barro com muitos furos laterais. Esses vasos têm dupla função: ajudam a escoar o excesso de água das regas e mantêm as raízes arejadas. Além disso, não esquentam tanto como os vasos plásticos pretos. Há uma porção de formatos e tamanhos — alguns parecem funis, ideais para orquídeas pequenas que apreciam alta umidade, já que o funil fica cheio de água e a planta, amarrada do lado de fora. Há também vasos em forma de meia lua, para serem fixados na parede. Se tiver pouco espaço, você pode usar vasos de morango para cultivar várias orquídeas num só recipiente, como eu mostro neste vídeo.

- Preciso só dar água e mais nada?
Teoricamente, sim, já que o oxigênio e os nutrientes mais elementares a planta pode retirar sozinha do ambiente. No entanto, estamos falado de orquídeas cultivadas em vaso, limitadas aos nutrientes do substrato, que logo se esgotam. Por isso, elas precisam repor os elementos mais importantes: nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S). Os adubos químicos são formulados para repor os três primeiros nutrientes, daí a formulação se chamar NPK. Se você borrifar sua orquídea uma vez por mês com adubo NPK 20-20-20, ela pegará menos doenças e dará flores maiores e mais bonitas. Com um pouco de prática você descobrirá como usar adubos com formulações menos equilibradas ou com adição de outros elementos químicos.

- Toda orquídea deve ser amarrada em árvore?
Não. Esse suporte funciona melhor nas espécies epífitas, que descrevi anteriormente. Essas plantas naturalmente vivem sobre os galhos das árvores e gostam de deixar as raízes (ou parte delas) expostas. Esse é o caso da Vanda, da Phalaenopsis e do Oncidium, só para citar alguns dos exemplos mais conhecidos. Já espécies exigentes a altas taxas de umidade nem sempre gostam de ficar sobre árvores. É o que acontece, por exemplo, com o Paphiopedilum e o Phragmipedium, ambos conhecidos popularmente por "sapatinhos". Deixe esses no vaso, com esfagno e substrato misto, para reter a água de que eles tanto gostam.

- Para quê servem aqueles nomes estranhos?
Assim como nós, as orquídeas têm nome e sobrenome. O delas é escrito em latim ou grego, para que pessoas no mundo todo possam reconhecer a mesma planta, não importa que língua falem. Essa forma de anotar os nomes científicos é adotada também para descrever outros seres vivos, de algas gigantescas a insetos microscópicos, de elefantes a amebas. O primeiro nome representa o gênero a que determinada planta faz parte, como se fosse uma grande família cheia de integrantes. O segundo nome, da espécie, define que planta é aquela. O gênero Dendrobium, por exemplo, possui milhares de espécies, dentre as quais está o Dendrobium nobile, mais conhecido por -olho-de-boneca.

- Quantas vezes por semana tenho de molhar?
Isso depende de muitos fatores: tamanho do vaso, tipo de substrato usado, espécie escolhida... Vasos muito fundos podem apresentar substrato seco na superfície, mas molhado perto das raízes. Substratos maciços retém mais água do que os porosos — é por isso que a gente rega menos as plantas que estão na terra do que aquelas que ficam amarradas em troncos. Se você está em Ribeirão Preto (SP), cultivando uma orquídea que exige altas taxas de umidade, vai ter de se desdobrar pra conseguir mantê-la úmida numa cidade tão quente. Via de regra, se está calor ou ventando, regue dia sim, dia não – ambos fatores desidratam a planta. No inverno, molhe duas vezes por semana. Procure fazer as regas sempre fora do horário de pico do sol, para não "cozinhar" as raízes.

- Dá flor o ano inteiro?
Não, nenhuma orquídea fica 12 meses com flor. Muitas florescem várias vezes ao ano, como acontece com a maioria das chuvas-de-ouro e com as Phalaenopsis híbridas. Há espécies que têm flores chamadas sequenciais, que não nascem todas de uma vez: assim que uma flor morre, outra já surge para substituí-la, mantendo a planta florida por muitos meses, uma característica da Doritis pulcherrima, por exemplo, a orquídea que ilustra este post. Também existem gêneros que têm floradas de curta duração, como acontece com as Stanhopea, cujas flores não passam de cinco dias. Mesmo assim, você terá flores o ano todo se escolher ao menos uma espécie que floresça em cada um dos meses.

- Onde encontro orquídeas mais em conta?
Híbridos de Oncidium, Cattleya, Dendrobium, Cymbidium e Phalaenopsis ficaram tão populares que são vendidos até em supermercados. Em exposições de orquídeas você encontrará espécies exóticas, muitas vezes de outros países, mas a um preço maior. Plantas premiadas podem ser compradas a preços bem amigáveis se forem mudas, o único problema é controlar a ansiedade, porque elas demoram anos para florir pela primeira vez. Na internet estão os preços mais baixos: as plantas costumam ser enviadas sem flores, bem acondicionadas em caixas de papelão, com toda a proteção para que não se machuquem na viagem. Busque no Google um orquidário perto de você e economize no frete.
04 NOV 2012
tags: pragas

Receitas caseiras contra as pragas mais comuns

Cochonilha
Como é? Marrom e cascudinha ou branca e peluda como um algodão.
Onde fica? Nos brotos ou na “palhinha” das plantas.
Como descubro? Deixa manchas amareladas nas folhas.
O que faço para me livrar dela? Passe algodão umedecido em óleo de cozinha ou óleo de Neem. Se a área afetada for grande, borrife água com algumas gotas de detergente neutro. Se a planta tiver folhas grandes e duras, esfregue-as delicadamente com uma escovinha de dente molhada com detergente neutro e, depois, enxague bem. Lugares secos e fechados são um chamariz para esses insetos. Por isso, uma forma de evitar o aparecimento tanto da cochonilha branca quanto da de carapaça (marrom) é melhorar a ventilação ambiente, aumentando o espaçamento entre os vasos.

Pulgão
Como é?
 Parece um besourinho preto, verde ou amarelo.
Onde fica? Em brotos, botões e flores.
Como descubro? A planta enche de formiguinhas, que são atraídas pelo líquido açucarado que os pulgões excretam.
O que faço para me livrar dele? Para ataques isolados, limpe com algodão — eles são numerosos, mas morrem num espremer de dedos. Plantas que estiverem em vasos pequenos podem ser lavadas com água e algumas gotas de detergente neutro (nessa proporção, o detergente não faz mal às plantas mesmo que escorra pela terra ou substrato). Se a planta tiver folhas duras e resistentes, tente limpá-la com um jato de água forte antes de borrifá-la com Orobor N1 diluído em água (na porporção de 5 ml ou 1 colher de chá para 1 litro de água). O Orbor é um óleo extraído da casca de vários cítrus (laranja, lima, limão), encontrado em grandes casas de produtos agrícolas. Na falta dele, troque por óleo de Neem, que, apesar de cheirar a fritura velha, pelo menos é fácil de encontrar em qualquer floricultura.

Lesma e caracol
Como são?
 Nojeeeeeeentos.
Onde fica? Nos brotos e no meio do substrato.
Como descubro? Folhas, flores ou brotos aparecem comidos e com aquele inconfundível rastro brilhante.
O que faço para me livrar deles? Com luva (claaaaro), cate-os manualmente à noite, já que eles têm hábitos noturnos. Se a infestação for grande, quando começar a anoitecer, deixe perto dos vasos rodelas de chuchu e retire-as em duas ou três horas (mas prepare o estômago, porque estarão cheias de bichos viscosos...). Se não tiver chuchu, valem outros alimentos bem aquosos, como melancia, abóbora e tomate. Como medida preventiva, não deixe o vaso diretamente no chão: se não puder pendurá-lo na parede ou no teto, coloque-o sobre um suporte de ferro. Outra forma de evitar o surgimento dessas pragas é recolher folhas secas do gramado ou de canteiros próximos.

Quem são? Moscas, formigas, lagartas, percevejos...
O que faço para me livrar deles? Borrife Orobor N1 ou óleo de Neem diluído em água, na proporção de 5 ml (uma colher de sopa) de óleo para 1 litro de água. É tiro e queda! Formigas só são um problema se fizerem ninho no vaso ou se forem do tipo cortadeira, que de fato destroem as folhas. Na maioria dos casos — especialmente em orquídeas — as formigas são um indicador de que há infestação de pulgões ou cochonilhas, já que são atraídas pelo líquido açucarado que eles secretam. Se não notar nenhum dos dois "criminosos" e, mesmo assim, sua planta estiver com formigas, é possível que elas tenham sido atraídas pelo açúcar que o botão produz antes de virar flor. Nesse caso, pode relaxar que elas são do bem.
29 OUT 2012
tags: árvore

Posse responsável de plantas em vaso

Está para nascer o dia em que as plantas receberão os mesmos cuidados destinados aos bichos de estimação. Como elas não ronronam nem sabem dar a patinha, costumam ser alvo de todo tipo de maus-tratos: definham por falta ou excesso de água, se espremem em vasos pequenos ou esgotam os nutrientes da terra sem que ninguém se dê conta de seu sofrimento. Isso quando não passam a vida toda confinadas a um saguão escuro, a metros de distância da janela mais próxima.

Em lojas, shoppings e escritórios, plantas geram simpatia. Mas, a despeito da pose de comprometimento ecológico, as empresas que têm vasos de maneira tão ostensiva costumam ser as mesmas que se desfazem deles como se fossem meros objetos. Repare como estão sempre floridas as bromélias das praças de alimentação, como despontam as orquídeas nos consultórios médicos, como brilham as folhagens ao lado dos caixas de supermercado. Seria um sinal e tanto de respeito ao meio ambiente não fosse o fato de essas plantas serem trocadas periodicamente – as antigas vão, sumariamente, para o lixo.

Apesar desse cenário triste, não é preciso muito esforço ou dedicação para ter um pouco de verde em seu apartamento ou firma. Aqui vão meus cinco mandamentos da Posse Responsável de Plantas em Vaso:

1 — Plantas não são de plástico
Só tenha um vaso em casa se puder suprir as necessidades básicas de água, luz, terra e nutrientes que qualquer ser clorofilado tem.

2 — Plantas não são descartáveis
Não jogue fora os vasos que perderam as flores. Respeite o ciclo e as características de cada espécie e você terá floradas novas no próximo ano (quem sabe até mesmo antes disso).

3 — Plantas não são brinquedos
Faça podas somente quando for necessário, procurando manter o desenho natural da árvore ou do arbusto. Se tiver dúvidas de como podar, consulte um jardineiro antes de cortar os galhos.

4 — Plantas não são enfeites
Não submeta vaso nenhum a um hall completamente escuro ou a um banheiro sem vitrô nem janela só porque fica bonito. Há espécies que se adaptam aos lugares mais incomuns, mas mesmo elas precisam de um mínimo de luz e ventilação

5 — Plantas não são de ferro
Elas pegam doenças e envelhecem. Proteja-as de ventos, mantenha-as livres de pragas e garanta-lhes uma boa aposentadoria. Elas retribuirão com flores, frutos e sombra fresca.
02 OUT 2012
tags: orquídea

5 segredos para regar sua orquídea

1. Para nunca errar ao molhar sua orquídea, dispense o prato que fica embaixo do vaso. Ela não gosta de água parada nas raízes.

2. Com o dedo indicador, toque o substrato (a “terrinha” dela) e sinta se ele está seco. Se estiver bem úmido, nada de água.

3. Vai regar? Leve o vaso para uma pia ou tanque, deixe que a água encharque a planta até escorrer pelos furinhos. Molhe inclusive na parte de baixo das folhas. Deixe escorrendo por alguns minutos até voltar o vaso para o lugar em que ele estava.

4. Só molhe as flores se estiver calor, o que fará com sequem rapidamente. Não é que as flores não gostem de rega, não! O problema é que pétalas molhadas atraem doenças.

5. Orquídeas como Cattleya e chuva-de-ouro, que têm caule "gordinho", precisam de menos água do que as que não têm essa característica. Essa região é chamada pelos especialistas de “pseudobulbo” e serve como uma despensa, onde a planta armazena água e nutrientes.

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