Carol Costa



Fui criada no interior, subindo em árvore, comendo fruta no pé, fazendo "bolinhos" de terra para alimentar as bonecas. Ao vir para São Paulo fazer faculdade, sentia falta do quintal cheio de plantas da minha mãe e me aventurei na jardinagem. Comecei com violetinhas, depois, cactos, suculentas, folhagens. Quando dei por mim, passava mais tempo cuidando das plantas do que indo às baladas. Ao mudar para um apartamento com sacada, as vizinhas batiam à minha porta para pedir tomates, cujos pés enormes eram visíveis da rua.

Minha vida de jardineira era ótima não fossem as orquídeas: uma vez por ano alguém me presenteava com uma dessas plantas, que sobrevivia florida por apenas umas semanas. Se não morria, passava anos sem dar uma flor, naquele silêncio solene das plantas ofendidas. Eu não sabia o que fazia de errado já que cuidava das orquídeas com a mesma atenção que dedicava às outras plantas: enchia o vaso de terra e húmus de minhoca, regava bem pouquinho e deixava num local escuro, rigorosamente protegido do sol. Depois de uma longa carreira de serial killer de orquídeas, resolvi fazer um curso, comprei livros e, hoje, posso dizer que estou quase reabilitada.

Descobri que as orquídeas são dos seres clorofilados mais incompreendidos no Brasil – e olha que nosso país é um dos maiores berços dessas plantas. Flores tropicais que são, elas gostam de umidade, luz e calor – muitas pedem até mesmo o sol direto –, apreciam água (desde que não fique empoçada nas raízes) e podem florir até quatro vezes por ano. A maioria não é cultivada em terra comum e, sim, numa mistura de casca de coco e pedacinhos de carvão.

Mas a maior descoberta que fiz foi que não existia um lugar onde leigos como eu pudessem encontrar informações simples e práticas sobre essa e outras plantas: os livros e a internet trazem muito jargões sobre cultivo, textos cheios de termos como "epífita", "caducifólia" e "rizoma". Se você lesse a descrição técnica de uma simples rosa, sairia correndo antes de pensar em plantar uma no jardim. Depois de estudar esse mercado por três anos, resolvi lançar um portal de jardinagem para quem, como eu, comprou ou ganhou uma plantinha e não tem a menor ideia de como cuidar dela. Assim nasceu o portal Minhas Plantas.

Os textos do Minhas Plantas são escritos da maneira mais simples possível, mas também apresentam dados de cultivo, como necessidade de luz, água e adubação. Um canal só de vídeos, o TVerde, traz tutoriais, para estimular as pessoas a sujarem as mãos de terra. O Plantão permite que os usuários mandem perguntas para nossos jardineiros responderem. Há muitas outras áreas, algumas que estão prestes a estrear.

Tudo é pensado para ser prático e acessível também a jardineiros urbanos, aqueles que não dispõem de um grande quintal, mas, sim, de um parapeito de janela ou um cantinho iluminado no escritório. Os canais são divididos em flores, árvores e folhagens e o portal conta ainda com este blog, o Orquídea sem Frescura, onde compartilho algumas das alegrias e aflições de ter 148 vasos de orquídea e uma jabuticabeira em um apartamento em São Paulo.

Sementes lançadas, agora é regar com muita informação e boas fotos para que tanto o Minhas Plantas quanto o Orquídea sem Frescura cresçam bonitos e saudáveis e se transformem no maior portal de jardinagem do Brasil.

Categorias