18 JUN 2014
categoria: Minhas raízes
tags: grama

Criança que brinca na grama cresce mais feliz

Como eu odiasse brincar de Barbie e minha irmã só tivesse uma irmã, ela abria uma exceção: sempre que a gente podia ficar no pátio do prédio, nos entretíamos brincando "de comidinha". Era uma diversão pouco ecológica, é verdade. Resumia-se a apanhar um punhado de matos de diferentes cores, quase sempre bem debaixo da placa de "É proibido pisar na grama", picá-lo e dividí-lo entre as várias panelinhas e potinhos de danoninho. Com algumas folhas, fazíamos suco acrescentando água; com outras, misturávamos barro e, depois de algumas horas de exposição a um sol esturricante, tínhamos bolos decorados com pedrinhas.

Dias atrás, estava eu fuçando na internet quando dei de cara com o catálogo de um spa holístico. Imagine a minha surpresa ao descobrir, vinte anos depois das brincadeiras de comidinha, que muita gente acredita que cair numa poça de lama pode deixar a pele mais macia. Melhor: tem mulher que chega a desembolsar até um salário mínimo para que alguém esfregue seu rosto com barro mole, "em movimentos suaves e circulares".

A julgar pela grande oferta de produtos similares em spas, há quem se deleite em ficar deitado de bruços, com pedras fumengantes colocadas em locais estratégicos das costas. Em muitos desses lugares, é possível tomar suco de clorofila por ínfimos R$ 15.

É um mundo estranho esse em que adultos bebem suco de grama e crianças brincam com celulares de verdade.

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