31 JUL 2013
categoria: Dicas práticas
tags: orquídea

5 razões para nunca mais tirar flores da mata

“Quando vi que o guarda não estava reparando, estiquei a mão e arranquei uma muda!” O relato tinha todas as características de uma grande façanha: minha amiga voltava de uma viagem para Búzios, no Rio de Janeiro, e, numa trilha preservada, encontrou uma orquídea florida e arrancou um pedaço da planta.

A história parece ser o máximo, mas, na real, é uma vergonha para todo mundo. Primeiro porque área de proteção ambiental é protegida por lei, tornando crime tentar sair de lá com qualquer coisa que não sejam fotos e lembranças. Não é difícil entender o motivo: se todo turista resolver levar para casa um souvenir da Mata Atlântica, o pouco que ainda resta dela não durará mais que alguns meses. O mesmo se aplica a qualquer outra região de mata nativa ou de natureza protegida.

Além disso, mesmo grupos pequenos de turistas causam, sim, impacto na fauna e flora local. Num descuido, a gente pisa num ninho de passarinho, esmaga uma muda de árvore, polui a água, espanta os polinizadores. Tudo isso desequilibra o mundinho que tanto as plantas quanto os animais precisam para viver e se reproduzir. Essa é uma engrenagem tão perfeita quanto delicada, como um relógio suíço. Mexer em qualquer coisa dá zebra.

Niqui minha amiga, não feliz em desrespeitar as instruções do guia, ainda mete a mão na planta e se acha vitoriosa. Agora, pensa comigo o trampo que foi trazer essa muda na mala, pegar avião com as raízes desidratando a cada minuto. Sem falar na orquídea, que estava toda feliz com a umidade natural de Búzios, e agora será condenada a viver num vaso dentro de um apartamento em São Paulo, numa região de clima completamente diferente de seu habitat.

E, honestamente, planta extraída da natureza é toda torta. Tem um monte de bicho, vem com praga, formigas mil. Não tem ninguém para ficar paparicando a coitada, então, ela tem folhas comidas, raízes cheias de insetos, uma inhaca. Fica linda na natureza, mas bem feiosa na sua sala, naquele vaso vietnamita esmaltado que você comprou por uma nota na floricultura.

Agora vem a pior parte: a maioria morre. Não se adapta às novas condições de habitat e, depois de uns dias, vai parar no lixo. Ou seja, a bravata da minha amiga não serviu para nada, só para matar a gente de vergonha.

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