04 DEZ 2012
categoria: Minhas raízes
tags: abelha

Com o chinelo e a coragem

Não tenho medo de cobra. Nem de lagarto. Escorpião, então, é fichinha, quase sentei em cima de um durante um acampamento de escoteiros. Rato eu acho bonitinho, mesmo se tiver cara de esgoto. Mas morro de medo de abelha. Morro. Dá até um friozinho na barriga.

No trabalho tem um monte daquelas amarelinhas, que ficam zanzando em torno da gente atrás de chá, bala, refrigerante, umas abelhas muito exigentes. A balconista da lanchonete tem certeza de que eu sou esquizofrênica porque peço dois cafés, encho um deles de açúcar e o deixo intacto. É minha oferenda à Madame Ferrão.

Dito isso, você pode fazer uma ideia do meu desespero toda vez que, pacificamente cuidando das orquídeas na varanda, sou encurralada pelo belhouro. Trata-se de um bicho muito do mal diagramado, misto de abelha com besouro, que faz um barulho de turbina ligada. Deve polinizar por atropelamento – a criatura é tão pouco ergonômica que as flores pendem quando são visitadas por ela.

Tenho na varanda uma borboleteira, uma arvoreta que atrai justo quem? Quem? O belhouro. Ontem acordei e fui cuidar das minhas plantas. Meia hora depois, Omblogsman me flagra pelo vidro da sala plantada na varanda com o chinelo na mão e cara de pânico. Encurralada mais uma vez pelo inseto demoníaco. Não fosse a intervenção maridística, eu estaria na varanda até agora. Ou teria me jogado. Um chinelo não seria páreo para o abominável belhouro.

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